Na publicação da semana passada, examinamos a controvérsia em torno dos projetos concorrentes para o Woodchurch Estate, em Birkenhead: um subúrbio mais tradicional de pequenas casas apresentado pelo engenheiro municipal Bertie Robinson e uma proposta aparentemente mais visionária de reinvenção da vida comunitária apresentada pelo arquiteto sir Charles Reilly. A maioria conservadora do conselho preferira a primeira e nomeara o arquiteto de Liverpool Herbert James Rowse para “elaborar os projetos das casas a serem construídas no conjunto”.
Para surpresa geral, Rowse, talvez pouco disposto a trabalhar dentro dos limites de uma proposta feita pelo engenheiro municipal, talvez procurando uma terceira via de compromisso, voltou à prancheta e, em janeiro de 1945, apresentou um projeto inteiramente novo. Os trabalhistas pressionaram para que os planos de Reilly fossem reconsiderados, mas, em março de 1945, o conselho, novamente dividido por linhas partidárias, endossou os de Rowse. A construção do conjunto, depois de vinte anos de gestação, finalmente começou em 1946.
Embora rejeitasse a engenharia social proposta por Reilly, as próprias ideias de Rowse refletiam o espírito e a ambição da época:
“O Woodchurch Estate não é uma mera reunião de casas dispostas num terreno com a máxima densidade possível e uma regularidade monótona de traçado e padrão, à maneira da vasta expansão suburbana sem planejamento nem controle do período entre guerras. É o cenário arquitetônico de uma concepção sociológica plenamente desenvolvida de uma comunidade de pessoas vivendo numa vizinhança definida, com identidade própria consciente e equipada para oferecer as maiores possibilidades de convivência plena dessa comunidade. O caráter abrangente desse projeto lhe confere um interesse extraordinário.”
O plano de Herbert Rowse
Para Rowse, o cumprimento dessas promessas estava no traçado, nos equipamentos e nos tipos de moradia do novo conjunto.
O plano geral foi “desenvolvido com base nas características topográficas naturais do terreno”, com:
“todo esforço... feito no planejamento do conjunto para oferecer vistas dos atraentes arredores rurais de todos os pontos possíveis e permitir que o máximo do caráter campestre penetrasse no empreendimento por meio de pequenos recantos verdes ajardinados, jardins dianteiros, quadrângulos, áreas de lazer e hortas.”
Avenidas largas e arborizadas dividiam o conjunto, enquanto uma praça central fornecia espaço “para a vida social da comunidade”, com lojas, banhos públicos, salão de reuniões, centro comunitário, cinema, biblioteca e clínica:
“Em contraste com a monotonia conhecida das ruas, ou de seu equivalente suburbano, o conjunto oferecerá perspectivas internas variadas de agrupamentos de casas em fileira e pequenos blocos entre árvores e áreas verdes, possuindo o caráter geral de uma versão contemporânea da cena tradicional de uma aldeia inglesa.”
Para as 2.500 casas, Rowse propôs tijolos de “qualidade comum, mas boa”, com “interesse arquitetônico... alcançado pela aplicação de cal, pigmentada numa série de tons suaves de amarelo, azul, rosa e cinza, alternados com branco”. Seu interesse se estendia ao interior: as primeiras casas concluídas foram “decoradas com tom de marfim quente nas paredes e um tom suave de azul nos tetos”. As críticas a esse esquema de cores levaram à adoção de branco uniforme nas fachadas já no início dos anos 1950.
As primeiras moradias do conjunto refletem as ambições de Rowse, embora, num dia frio de janeiro como aquele em que o visitei, as avenidas largas possam parecer um tanto desoladas.
A supervisão de Rowse foi substituída em 1952 pela do novo arquiteto municipal T. A. Brittain, que, nas palavras mordazes do guia Pevsner, “continuou a construção segundo padrões inferiores de projeto”. O livro não gosta das primeiras vitrines comerciais neogeorgianas, mas reserva seu maior desprezo às lojas de Hoole Road, originalmente planejadas como um ponto de destaque da avenida central de Rowse.
A milésima casa do conjunto, número 84 da Common Field Road, foi inaugurada oficialmente pelo deputado local Percy Collick em 1953. Tinha empena, revestimento de telhas e desenho inspirado no Arts and Crafts, claramente uma herança do período em que Rowse estivera à frente do projeto.
As casas posteriores eram mais simples, mas o maior afastamento da visão original de Rowse veio com duas torres de catorze andares, Grasswood Gardens e Ferny Brow Gardens, construídas em 1960 na New Hey Road. Ironicamente, o arquiteto foi o próprio H. J. Rowse. No fim da década, acrescentaram-se três blocos de catorze andares, construídos pela Wimpey: Leamington, Lynmouth e Lucerne Gardens, na extremidade do conjunto voltada para Upton.
Como costuma acontecer, apesar de toda a retórica anterior, até os equipamentos comunitários mais básicos demoraram a aparecer. As primeiras lojas chegaram em 1953, a clínica de saúde em 1954 e a primeira biblioteca local, inicialmente instalada na nova escola secundária moderna, em 1959. Um centro comunitário veio em 1965.
As congregações religiosas se reuniam em casas particulares ou salões locais até a inauguração da igreja metodista em 1958 e da igreja católica St Michaels and All Angels em 1965. Esta última valeu a espera, pelo menos por seu impressionante projeto modernista de Richard O’Mahony, concebido liturgicamente, ao estilo do Concílio Vaticano II, para concentrar a atenção no altar central e, em termos paisagísticos, para oferecer um encerramento adequado às vias New Hey e Home Farm.
Tudo isso, entretanto, ainda estava longe das promessas de Rowse, e mais longe ainda das de Reilly e daquela visão de comunidade planejada do pós-guerra. Estudos acadêmicos posteriores sobre o conjunto permitem examinar a comunidade que de fato surgiu. Apresentam um quadro misto, que tanto confirma quanto desafia as interpretações habituais.
A formação da comunidade
Os novos moradores eram principalmente famílias jovens. Um sistema de pontos determinava as prioridades, favorecendo ex-militares, residentes antigos do município e famílias maiores. Pessoas que viviam em acomodações impróprias recebiam pontos adicionais. A capacidade de pagar o aluguel também era avaliada, embora isso frequentemente fosse uma luta: o aluguel médio de uma casa de três quartos era de 1,40 libra, enquanto os salários locais variavam de 3,50 libras para um trabalhador não qualificado a cinco libras ou mais para trabalhadores semiqualificados e qualificados. Na luta para fechar as contas, fogões eram frequentemente comprados da companhia de gás e móveis da loja Sturla’s no “nunca acabar de pagar”, isto é, no crediário.
Confirmando a narrativa de Willmott e Young sobre a “mãe ausente” — ou, em termos mais acadêmicos, a perda das redes matrilocais de parentesco do centro da cidade —, muitas mulheres jovens faziam o caminho de volta desse conjunto periférico até a casa dos pais quase diariamente. Algumas caminhavam; outras enfrentavam o serviço inadequado de ônibus empurrando seus carrinhos Silver Cross, “normalmente de segunda mão, veja bem”. Uma mãe jovem, com filhos em idade escolar, pedalava todos os dias às dez da manhã até o Mount Estate, onde seus pais agora moravam, depois de se levantar às seis para limpar a casa e preparar o jantar.
Mas havia também quem ficasse satisfeito por criar alguma distância em relação à família:
“Um entrevistado explicou que ele e a esposa ficaram felizes em se afastar da sogra porque ‘ela tinha ciúmes da minha mulher’, e descreveu como o atrito provocado pela situação prejudicara outras relações familiares.”
Quanto à comunidade, ou mais propriamente à boa vizinhança, ela surgia informalmente, muitas vezes pelo reencontro de amizades antigas:
“Bateram à porta. Quando fui abrir, lá estava [nome], segurando uma bandeja e um bule de chá. Não conseguimos acreditar quando vimos o rosto uma da outra. Tínhamos morado em ruas vizinhas, perto de Bidston, e éramos grandes amigas... amigas de infância durante muitos anos... antes da guerra, e agora ela era minha vizinha de porta! Não conseguia acreditar; era como estar em família.”
Como muitas pessoas se mudaram para Woodchurch ao mesmo tempo, vindas de regiões semelhantes do centro de Birkenhead, esses vínculos não surpreendem. Com o tempo, as relações familiares também podiam ser retomadas quando pais ou irmãos se mudavam para o mesmo conjunto.
O tão celebrado “espírito de uma Nova Grã-Bretanha”, discutido na publicação anterior, parece ausente, mas talvez sobrevivesse de maneira mais discreta:
“Não era apenas o fato de todos sermos de Birkenhead; tínhamos passado mais ou menos pelas mesmas experiências... vivido no mesmo tipo de casa... perdido pessoas queridas ou nossas moradias durante a guerra. Estávamos felizes por estar vivos e não íamos fechar a porta para um vizinho que precisasse de ajuda... de onde vínhamos, isso não se fazia.”
Mas poucos passaram a enxergar o centro comunitário como o centro da vida social, muito menos como espaço de participação cívica, como esperavam os planejadores do pós-guerra. Vários entrevistados lembravam que só iam até lá para jogar bingo “nas noites de terça-feira” ou “quando alguém estava dando uma festa”.
No fim, a “comunidade” se desenvolveu em grande medida sem a ajuda benevolente de planejadores e políticos. Visto em retrospecto, o desejo destes de moldar a sociedade, por mais idealistas que fossem os motivos, parece mecânico na prática. A vida real acontecia no âmbito doméstico, nos espaços entre casa, família e amizade, com poucas referências às instituições formais e pouca vontade de pensar ou agir de modo mais político ou cívico.
Enquanto isso, tradições mais antigas de paternalismo municipal autoritário continuavam vivas, normalmente aplicadas por funcionárias habitacionais formadas na tradição de Octavia Hill. A senhorita Crook era claramente o exemplo local:
“Quero dizer, todo mundo com quem conversei sobre isso se lembra de como ela verificava as camas — os lençóis, os cobertores e tudo mais. Passava os dedos nas superfícies para ver se havia poeira, e a expressão no rosto dela quando encontrava alguma coisa! Era como se dissesse: ‘Não limpou o pó hoje, querida?’. Bem, ela chegou a me elogiar pelo padrão de limpeza, mas, quando terminou sua vistoria, eu estava prestes a explodir. Só que tínhamos de aguentar calados. Naquela época, ninguém discutia com a autoridade.”
A respeitabilidade e a conduta responsável dos inquilinos eram, portanto, rigidamente fiscalizadas nos primeiros anos.
Apesar de tudo, Woodchurch adquiriu má reputação aos olhos de algumas pessoas. Já em 1952, uma reportagem de jornal local trazia a manchete “Vandalismo toma conta do Woodchurch Estate. Quinhentas libras em danos a um trator”. Na verdade, a combinação de muitas crianças pequenas vivendo em locais que eram, na prática, enormes canteiros de obras tornava reportagens desse tipo bastante comuns em todo o país.
Mas, à medida que conjuntos como Woodchurch envelheciam, a percepção sobre eles mudava. Notícias de crimes no empreendimento em 1969 levaram a polícia a defendê-lo: “A incidência de crimes e distúrbios no conjunto não é mais grave do que em várias outras áreas da cidade... incidentes isolados foram retirados de contexto”.
Nos anos 1980, entretanto, quando o desemprego, sobretudo entre os jovens, disparou, surgiram problemas reais. Woodchurch, e ainda mais notoriamente o Ford Estate, também em Birkenhead, passaram a ser conhecidos como centros de dependência de heroína. Em 1983, afirmava-se que 9% dos moradores de dezesseis a 24 anos desses conjuntos usavam a droga. “Woodyboy” recorda a época:
Os problemas e as transformações posteriores
“Quando minha turma terminou os exames O-level na Woody High, em 1983, já sabíamos muito bem o que estava acontecendo ao nosso redor. Parecia que o irmão ou a irmã mais velha de todo mundo era viciado em heroína. Eram os garotos de que nos lembrávamos do primário, apenas alguns anos mais velhos. Conhecíamos colegas da nossa idade que haviam experimentado cogumelos ou cheiravam cola, mas isso era outra história completamente diferente.”
O conjunto também passou a ser associado a problemas mais amplos de violência de gangues e comportamentos antissociais.
Desde então, foram realizados esforços coordenados para melhorar o empreendimento. Em Birkenhead, as torres eram consideradas uma das causas desse novo mal-estar social, e o novo município de Wirral, criado em 1974, havia sido o primeiro da Europa a demolir alguns de seus blocos, começando pelas torres centrais Oak e Eldon Gardens, em 1979. Em Woodchurch, os dois blocos de New Hey Road foram transformados em habitação para idosos e renomeados em 1984. Agora resta apenas um, Brackendale. Leamington, Lynmouth e Lucerne Gardens também foram demolidos.
Hoje, os piores problemas sociais de Woodchurch ficaram para trás e, aos olhos deste visitante de fora, o conjunto parecia, em geral, bem mantido e cuidado, além de atraente em suas partes mais antigas, onde a visão de Rowse foi mais plenamente executada. É um conjunto municipal, o que significa que, na Grã-Bretanha moderna, abriga uma proporção maior de pessoas pobres e continua tendo desemprego elevado. Quatro áreas do empreendimento estão entre os 10% mais desfavorecidos do país.
Há quem culpe a habitação municipal por isso. Para mim, é uma manifestação daquilo que foi feito à habitação municipal e à sua comunidade. Embora o Woodchurch Estate fosse apenas uma pequena parte da “Nova Grã-Bretanha” que surgiu depois de 1945, uma promessa mais ampla daquela época era o pleno emprego e a redução das desigualdades. Essa promessa foi traída, e pedimos aos conjuntos municipais e a seus moradores que suportassem o peso dessa traição.
Uma das primeiras moradoras lembra o conjunto:
“como tão bom quanto qualquer habitação privada... as pessoas nem percebiam que era um conjunto municipal... também era tranquilo nos primeiros anos. Era um bom lugar para viver e um bom lugar para criar os filhos.”
Tenho certeza de que isso continua sendo verdade para muitos hoje.