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Aldenham House e Wolcot House: moradias de St Pancras

Aldenham House e Wolcot House ficam numa rua lateral atrás da estação de Euston. À primeira vista, nada nelas chama particularmente a atenção: são as ferrovias que dominam a paisagem. Na década de 1920, os trilhos ocupavam cerca de 16% da área construída do distrito de St Pancras, e quase um quinto dos homens empregados na região trabalhava em transportes.

Esses trabalhadores estariam entre os segmentos mais bem remunerados da classe operária, mas o distrito também tinha bolsões de pobreza extrema. O censo de 1921 registrou 11 mil pessoas vivendo com mais de três ocupantes por cômodo em St Pancras. Em Somers Town, Charles Booth havia descrito Little Clarendon Street, em seu levantamento de Londres de 1898, como:

Uma via estreita de má reputação — o pior lugar das redondezas, onde vivem numerosas prostitutas e ladrões amadores. O nome dado à rua pela população local é “Pequeno Inferno”.

Little Clarendon Street passou a se chamar Wolcot Street, mas o apelido anterior, Little Hell, permaneceu. Em 1921, suas 91 casas, já com 120 anos, foram descritas como “muito arruinadas, negligenciadas, insalubres, infestadas de parasitas e perigosas”, e o conselho municipal programou sua demolição.

Os trabalhistas haviam conquistado esse conselho em 1919 e, nos anos imediatamente posteriores à guerra, St Pancras esteve na linha de frente dos esforços de construção habitacional das autoridades locais. Seu maior empreendimento, o Brookfield Estate, foi concluído em 1922 e incluía cerca de 205 apartamentos, moradias em dois pavimentos e casas. Mas os aluguéis, de 19 xelins e 9 pence (99 pence) a 29 xelins e 3 pence (1,46 libra), eram considerados inacessíveis aos moradores mais pobres.

Em 1922, acompanhando a tendência nacional, os trabalhistas de St Pancras perderam 22 cadeiras. Só recuperariam o poder em 1945, numa nova era política. Assumiram os Municipal Reformers — o Partido Conservador com outro nome. O esforço habitacional desacelerou, mas o projeto de Aldenham House e Wolcot House foi concluído. É possível argumentar que a orientação política do conselho imprimiu um caráter interessante à conclusão do empreendimento.

Os edifícios e suas soluções construtivas

Ao todo, o novo conjunto era formado por quatro blocos — um quinto seria acrescentado mais tarde —, com 88 unidades residenciais: 24 de dois cômodos, 56 de três e oito de quatro. Segundo o arquiteto responsável, A. J. Thomas, os blocos foram dispostos “de maneira a permitir a maior quantidade possível de luz solar, com circulação de ar livre e aberta e amplo espaço para as crianças brincarem”.

Foram construídos com tijolos comuns de Londres, arcos e cunhais de tijolos vermelhos trabalhados nas janelas e esquinas, embasamentos de tijolos azuis de Staffordshire e faixas, pedras de fecho e coroamentos de pedra artificial semelhante à de Portland. As janelas de guilhotina com caixilhos em caixa, descritas como de “caráter Queen Anne”, deveriam conferir ao conjunto o “efeito geral de moradias dignas”.

Internamente, as cozinhas eram grandes. Precisavam ser: abrigavam “uma despensa, um armário com prateleiras, um fogão a gás, um caldeirão a gás, uma banheira com tampo que servia de mesa e uma pia de dez polegadas de profundidade com rodapé de azulejos”. Um corredor central continha um vaso sanitário separado e um pequeno depósito de carvão. As salas tinham um “fogão conversível”, que podia funcionar como lareira aberta ou como meio complementar de cozinhar e fornecer água quente.

O sr. Thomas prosseguiu:

O esquema de decoração foi influenciado pelo desejo de criar um ambiente alegre e estimular a limpeza. Todos os pisos de madeira receberam tratamento superficial com creosoto para combater parasitas e deterioração. Os pisos podem ser encerados e mantidos limpos com facilidade, e o tratamento reduz a necessidade de usar linóleo.

Pisos impregnados de creosoto não parecem especialmente alegres, mas, se ajudavam as donas de casa da época a manter suas moradias limpas, talvez já fossem motivo suficiente para satisfação.

Trata-se, provavelmente, de um exemplo típico, embora não avançado, da habitação municipal daquele período. Alguns ativistas trabalhistas se insurgiam contra blocos residenciais com aspecto de “quartel”, mas, no interior de Londres — onde o espaço era escasso e valioso —, eram geralmente considerados inevitáveis.

A promessa de realojar todos os antigos moradores

Um aspecto mais interessante e incomum do empreendimento foi o desejo expresso pelo conselho de realojar todas as pessoas deslocadas pela eliminação dos cortiços da região. O vereador Collins, presidente do Comitê de Saúde responsável pelo projeto, declarou:

Em nenhum outro caso na área metropolitana a possibilidade de um realojamento efetivo havia sido perseguida com tamanha determinação; as pessoas efetivamente desalojadas receberam acomodação em todos os casos, resultado de que o conselho distrital muito se orgulhava.

Alguns inquilinos que não puderam ser acomodados no próprio conjunto receberam casas nos empreendimentos do London County Council em Becontree, Downham e Burnt Oak.

Naquilo que talvez tenha sido uma crítica não inteiramente injustificada aos seus adversários trabalhistas, Collins acrescentou:

O conselho acreditava que, com perseverança e coragem, conseguiria fazer alguma coisa para dar aos pobres moradores de Somers Town a primeira oportunidade real que já tiveram. Os conselhos distritais haviam construído casas para os respeitáveis; elas atraíam as pessoas bem-apresentadas, e aqueles a quem as casas se destinavam nunca chegavam lá. Mas, neste caso, quem morava nas casas antigas agora mora nas novas — uma verdadeira transição.

Vale observar essa caracterização. De fato, as primeiras habitações municipais atendiam esmagadoramente às “pessoas bem-apresentadas”: trabalhadores respeitáveis, em sua maioria com rendas constantes, ainda que modestas. Ser inquilino do conselho era visto como sinal de ascensão social e podia até promover certo esnobismo. Se podemos censurar este último aspecto, ainda assim podemos acolher a ideia da habitação social como algo a que se aspire, mais do que uma rede de segurança destinada a acolher uma população considerada degradada.

O compromisso de realojar os inquilinos mais pobres, contudo, representava um desafio para o conselho:

Os inquilinos de Wolcot Street não são do tipo normalmente escolhido para os apartamentos do conselho, daí a necessidade de cuidados especiais para superar as dificuldades. Não se deve supor que sejam maus inquilinos; são pessoas muito trabalhadoras, que lutam para sobreviver e estão habituadas a pagar aluguéis baixos.

Na verdade, os aluguéis — de 13 xelins e 8 pence (69 pence) para unidades de dois cômodos a 18 xelins e 8 pence (94 pence) para as de três — não eram tão baixos. Previa-se que a cobrança seria difícil. O conselho recorreu então a medidas especiais: nomeou duas “fiscais”, a sra. Irene Barclay e a srta. Evelyn Perry.

Graças à Lei de Remoção da Desqualificação por Sexo de 1919, Barclay havia se tornado a primeira mulher na Grã-Bretanha a obter qualificação profissional como agrimensora. Ela viria a ser uma figura importante na habitação social, por seus levantamentos pioneiros e pelo envolvimento ativo em associações habitacionais locais.

Podemos supor que a escolha dessas duas mulheres refletisse a crença no chamado “toque feminino”. O conselho declarou-se:

Plenamente consciente de que a experiência exigiria paciência e ajuda de sua parte. Não poderia haver mágica, pois seus membros sabiam como é lento o progresso quando mudanças tão radicais são introduzidas na vida de pessoas que pareciam satisfeitas, por tantos anos, com a miséria do ambiente em que viviam.

Num mundo em que mulheres fortes começavam a conquistar reconhecimento em funções de “cuidado” na esfera doméstica — muitas vezes como vereadoras especialmente interessadas no bem-estar infantil e na saúde materna, por exemplo —, não devemos deixar de notar aqui essa peculiar mistura de paternalismo e sexismo.

A inauguração em 1928

O conjunto foi oficialmente inaugurado pela princesa Mary, filha do monarca reinante George V, em 25 de julho de 1928. A imprensa local relatou que os novos moradores “lotaram as janelas e sacadas e, ao exibir bandeiras e aplaudir, demonstraram sua lealdade e contribuíram para o interesse e entusiasmo gerais”.

Devemos supor que ali se manifestassem orgulho e patriotismo genuínos. Os inquilinos fizeram uma coleta entre si para comprar um buquê para a ilustre visitante e realizaram um sorteio para decidir quem teria a honra de entregá-lo: o sr. e a sra. Crapper, do número 14, e o sr. e a sra. Tippett, do número 18, foram os escolhidos.

Naturalmente, as autoridades e personalidades locais também compareceram. A banda da Polícia Metropolitana ofereceu entretenimento musical. E o vereador Collins teve oportunidade de proferir o discurso do qual foram extraídas várias das citações acima.