Aspen House: a escola ao ar livre de Lambeth
Há algo de contrário à intuição na ideia de expor crianças consideradas “frágeis” aos elementos, faça chuva ou faça sol:
Às vezes, quando chegávamos de manhã, o vento havia levado neve para cima das mesas e cadeiras, e precisávamos limpá-las antes de começar.
Mas, ao que tudo indica, isso fez “um bem enorme” a Norman Collier, aluno da Aspen House Open Air School, em Streatham, na década de 1930.
A escola foi inaugurada pelo London County Council (LCC) em 1925, para alunos então descritos como “pré-tuberculosos”: crianças anêmicas, asmáticas ou desnutridas. Era a quinta escola ao ar livre do conselho. A primeira havia sido aberta em Bostall Wood, em Woolwich, num terreno doado pela Royal Arsenal Cooperative Society, em 1907. Mas a Aspen House foi a primeira construída segundo o “projeto aperfeiçoado” do conselho, que seria utilizado mais tarde em catorze escolas da capital.
Os escritórios administrativos ocupavam o antigo bloco de estábulos, adaptado, de uma residência que antes existia na propriedade. Também foram construídos espaços para refeições e repouso, duas partes importantes da rotina escolar que veremos adiante.
Salas de aula sem paredes fechadas
O coração da escola, porém, estava nas salas de aula: quatro pavilhões quadrados, erguidos sobre postes de madeira, com meias-paredes também de madeira e coberturas expostas. As janelas contínuas, acima da parte inferior das paredes, não receberam vidros até algum momento da década de 1950.
Os terrenos da escola tinham importância equivalente. Para seu primeiro diretor, o sr. I. G. Jones, nunca havia ar fresco demais:
Embora nossas salas de aula sejam abrigos abertos nas laterais, que não podem ser fechados, é muito mais agradável trabalhar ao ar livre, sem um teto sobre a cabeça, sempre que possível.
Esse ensino ao ar livre exigia plataformas e passarelas elevadas: “foram feitas oitenta grandes passadeiras de tábuas, ou ripas de madeira; os meninos maiores mediram e cortaram a madeira, e os menores pregaram as peças umas às outras”. Os meninos também fizeram “cabideiros, suportes para escovas de dentes, saboneteiras e caixas de transporte com alças para os trabalhos de jardinagem”.
Mais tarde, à medida que a escola se desenvolvia, vieram tarefas que exigiam “mais habilidade e precisão”: “suportes para tamancos, uma mesa para pássaros, um registrador de horas de sol com seu suporte, moldes para trabalhos em concreto, um relógio de sol e equipamentos para o banheiro”.
Não há menção aqui às alunas, mas elas desempenhavam plenamente seu papel — embora segundo as divisões tradicionais de gênero — na jardinagem, no estudo da natureza e nos trabalhos manuais, partes importantes do currículo da Aspen House. O sr. Jones fundou, por exemplo, uma associação de apicultores para os alunos mais velhos, e uma observadora admirada registrou:
Um dos resultados mais notáveis do ensino nessa escola encantadora é o espírito de cooperação que faz as crianças sentirem que o jardim pertence a todos e que seus prazeres devem ser compartilhados por todos.
Uma rotina de alimentação, descanso e cuidados
Em 1930, a escola tinha cerca de 204 alunos matriculados — talvez seu número máximo: 115 meninos e 89 meninas. Vinham de diversas partes de Londres e tomavam café da manhã antes do início das aulas, às nove horas. Ficavam até por volta das quatro da tarde, recebiam almoço e chá e precisavam dormir uma sesta no início da tarde, de uma a duas horas, em redes especiais, com cobertores individuais designados para cada um.
Nesses primeiros anos, cada aluno também tomava um banho semanal. Uma enfermeira-chefe residente e exames médicos regulares completavam uma rotina que cuidava do corpo e do espírito.
Era uma educação firmemente enraizada — embora sem recorrer à retórica — nos princípios do pedagogo suíço Johann Heinrich Pestalozzi: a busca do equilíbrio entre cabeça, mãos e coração; a crença no livre desenvolvimento do potencial de cada criança por meio da observação e da descoberta da natureza e do mundo material. Não contem isso ao sr. Gove!
Norman Collier lembra que todos aprendiam as três habilidades básicas — ler, escrever e contar —, mas, em geral, permaneciam ali por cerca de dezoito meses antes de retomar uma educação mais convencional. Os antigos alunos recordam sobretudo a gentileza dos professores, numa época em que nem a vida doméstica nem o ensino eram sempre tão gentis. J. V. Morley se lembra de uma única ocasião em que houve castigo com vara — “francamente merecido” — depois que um menino atingiu outro com uma garrafa de leite.
O legado da Aspen House
A Aspen House permaneceu nessas instalações até 1977, quando se mudou para novas dependências construídas especialmente para ela em Kennington Park, onde continua funcionando como uma “escola especial comunitária”. Ao longo daqueles cinquenta anos, e para além deles, ela nos lembra o que houve de melhor na educação oferecida pelo poder público local — hoje tão menosprezada — e uma visão de escola preocupada com a saúde e o desenvolvimento integral de seus alunos.
Poucos acreditam hoje que a austera rotina de exposição ao ar fresco fosse tão restauradora quanto afirmavam seus primeiros defensores. Mas o espaço que a escola oferecia para o desenvolvimento pessoal das crianças e, de maneira mais prosaica, porém talvez de impacto prático maior, o ambiente limpo e as três refeições completas por dia eram fundamentais. Talvez também ajudasse o óleo de fígado de bacalhau, fornecido diariamente e sem custo aos alunos que recebiam refeições escolares gratuitas.
Em 1939, havia 155 escolas ao ar livre em toda a Grã-Bretanha, quinze delas só em Londres, atendendo aproximadamente 2 mil crianças. O LCC também mantinha um internato ao ar livre em Bushey Park, que proporcionava todos os anos “a cerca de três mil meninos de Londres uma temporada de vida em acampamento”, além de escolas semelhantes para meninas em St Leonard’s e em outros lugares. Aulas ao ar livre nos parques de Londres eram frequentadas por 6 mil crianças.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o Estado de bem-estar social — cujos serviços de saúde e estruturas de seguridade social estão atualmente sob ataques sem precedentes — contribuiu para tornar menos urgente o trabalho dessas escolas. A Lei do Ar Limpo de 1955 também fez muito para reduzir a poluição atmosférica que havia prejudicado a vida de tanta gente.
Mas a Aspen House e o movimento que ela representa não têm apenas interesse histórico. Muitos de seus princípios acabaram influenciando a educação do pós-guerra, tanto no projeto das escolas quanto na pedagogia, e abandonamos esses valores, em nome de uma concepção de qualidade educacional guiada por números, por nossa conta e risco.