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Llandudno: as primeiras casas municipais até 1939 — Parte I

O contexto de Llandudno

Peço desculpas pela falta de publicações recentes: estou ocupado escrevendo um segundo livro. O blog continuará a ser atualizado e, enquanto isso, sou muito grato pelas contribuições de convidados como esta, que continuo recebendo de bom grado. Matthew Evans, o principal autor, trabalha com comunicação no governo local. Na pesquisa e na redação, contou com a ajuda do pai, Philip Evans, que participa dos conselhos de Aberconwy Borough e, depois, Conwy County Borough desde 1976, tendo sido duas vezes prefeito de Llandudno, em 1983–1984 e 2006–2007. Muitos detalhes das atas do conselho, dados pessoais e lembranças apresentados aqui vêm dele.

Hoje, Llandudno é uma cidade balneária popular, com cerca de vinte mil habitantes, conhecida por sua localização singular entre os promontórios de Great Orme e Little Orme e pela abundância de arquitetura vitoriana. Fica a meio caminho ao longo da costa do norte do País de Gales, a aproximadamente 45 minutos de Chester e a menos de uma hora e meia das grandes cidades do noroeste da Inglaterra, das quais sua economia depende amplamente há 150 anos.

Foi o crescimento impulsionado pela Revolução Industrial — e a renda que ele gerou, permitindo às pessoas desfrutar de tempo livre e férias — que levou à fundação da cidade moderna num lugar que, até então, era uma pequena aldeia de mineração de cobre e agricultura, nas encostas inferiores de Great Orme. A aldeia tinha vista para pastagens marginais no istmo que separa a montanha do continente e que incluía o lendário pântano de Morfa Rhianedd. O pântano aparece no antigo poema galês The Tale of Taliesin, como o lugar de onde o poeta profetizou que um “monstro” surgiria para “trazer destruição a Maelgwyn Gwynedd”, antigo rei de Gwynedd. Hoje drenado, é nesse terreno pantanoso que se encontra boa parte da Llandudno moderna — inclusive suas casas municipais.

As terras ao redor de Llandudno pertenciam à família Mostyn, de Mostyn Hall, em Flintshire, desde aproximadamente 1460, quando Hywel ab Ieuan Fychan se casou com Margaret ferch Gruffydd, herdeira da propriedade de Gloddaeth, situada a cerca de 1,6 quilômetro da cidade atual. Durante centenas de anos, a região permaneceu praticamente intocada, como parte obscura e remota das propriedades dos Mostyn. Poucos escritores comentaram sobre o lugar. Entre eles destacou-se o viajante Thomas Pennant, que, em seu Tour in Wales, de 1778, mencionou a “bela baía de meia-lua de Llandudno”.

Tudo mudou em 1848, quando Owen Williams, agrimensor de Liverpool que ficara retido em Llandudno durante uma tempestade, percebeu o potencial da paisagem para um novo balneário destinado às classes médias recém-enriquecidas. Compartilhou a ideia com Lord Mostyn, que a abraçou com entusiasmo. Os dois começaram a construir uma estância planejada e exemplar, conseguindo a necessária autorização do Parlamento. Em cinquenta anos, num processo muito acelerado pela chegada da ferrovia em 1858, o centro de Llandudno havia se tornado essencialmente a cidade que vemos hoje, com ruas largas e bem planejadas, reunindo todos os estilos arquitetônicos da segunda metade do século XIX. O plano original previa uma malha regular de ruas, em que nenhum edifício poderia ultrapassar em altura a largura da via. Talvez lembrando das más condições de vida nas grandes cidades, o projeto proibia moradias em pátios interiores ou porões e estipulava que “a cidade que virá deverá se assemelhar, tanto quanto for possível, ao campo”.

Todas essas medidas criaram uma cidade atraente e elegante, com alguns dos mais grandiosos hotéis, lojas e estabelecimentos de entretenimento que um turista vitoriano ou eduardiano poderia encontrar em qualquer parte do Reino Unido. Mas esses prazeres dependiam de uma grande população trabalhadora por perto, para servir nos hotéis e na indústria da hospitalidade. Foi a necessidade de garantir mão de obra abundante e, ao mesmo tempo, alojá-la de maneira compatível com a cidade e suas regras de urbanização que levou as autoridades locais de Llandudno a criar as primeiras habitações sociais do País de Gales. Essa oferta de moradias para atender às necessidades locais perdura até hoje.

As primeiras casas municipais

Llandudno pode reivindicar a construção das primeiras casas municipais de todo o País de Gales. As dezenove primeiras “moradias para trabalhadores” foram erguidas em Council Street, em 1897, ao custo de 210 libras cada uma.

As atas do Llandudno Urban District Council (UDC) explicam os antecedentes do empreendimento e o andamento dos acontecimentos, oferecendo uma ideia do processo necessário para construir moradias municipais naquela época. Numa reunião em 17 de junho de 1896, os vereadores “resolveram que a Parte III da Lei de Habitação das Classes Trabalhadoras de 1890 fosse, como de fato fica, adotada no Distrito Urbano de Llandudno”.

O Local Government Board realizou então um inquérito em junho de 1896 para analisar o pedido do conselho de autorização para tomar emprestado o dinheiro necessário à construção. As obras começaram em setembro, mas o órgão questionou por que os trabalhos haviam sido iniciados antes da solicitação formal de aprovação do empréstimo e exigiu uma nova resolução.

O texto adicional determinou “que fosse feito um pedido ao Local Government Board para autorização de empréstimo de 4.357 libras, com a finalidade de cumprir a Parte 3 da Lei de Habitação das Classes Trabalhadoras de 1893 [sic], por meio da construção de dezenove casas, conforme o plano e os orçamentos preparados pelo agrimensor e aprovados pelo conselho”.

A autorização foi aprovada em novembro de 1896. O empreiteiro era um certo sr. Hassell.

As acusações sobre a qualidade das obras

O projeto não ficou livre de controvérsias. A ata do Comitê de Moradias dos Trabalhadores de 22 de fevereiro de 1897 registra que o agrimensor E. Paley Stephenson respondeu a uma série de acusações feitas pelo vereador John Owen durante uma sessão do conselho. O relatório deixa claro que Owen levara suas críticas ao público; elas também foram publicadas no Llandudno Directory e causaram indignação. O relatório e as atas registram suas preocupações, com a redação e a pontuação originais:

Eram as seguintes:

O agrimensor rejeitou ou explicou todas as questões e observou que “o empreiteiro não tinha obrigação de mandá-las [as portas] fabricar em Llandudno, e elas são boas”. Ele pareceu confuso com a referência às janelas do Transvaal, comentando que, “embora eu não saiba onde foram feitas, [elas] têm execução aceitável”.

O comitê visitou as casas para verificar as acusações pessoalmente. A ata da reunião seguinte, em 27 de fevereiro, registra:

Após um exame minucioso das casas, o comitê concluiu que não poderia endossar as declarações feitas pelo vereador Owen na última reunião do conselho. Pelo contrário, considera que as construções e a qualidade do trabalho se comparam muito favoravelmente às de outras propriedades em Llandudno. Embora a inspeção tenha ocorrido num dia de tempestade, depois de doze horas de chuva quase incessante, as casas não apresentavam qualquer sinal de infiltração.

Depois dessa rejeição firme às críticas do vereador Owen, a única outra resolução do comitê naquele dia foi recomendar que, “como experiência, o conselho instalasse em dez moradias medidores de gás acionados por moedas de um penny”.

Essas primeiras propriedades municipais foram reformadas e transformadas em apartamentos com supervisão de um responsável no fim da década de 1970. A obra incluiu novo revestimento externo, e cada casa foi dividida em dois apartamentos: o inferior acessado pela antiga porta da frente e o superior por uma escada nos fundos. Na mesma época, a rua passou a se chamar Norman Road. O nome antigo havia perdido popularidade à medida que as casas se deterioravam, e as residências de um lado da via, na verdade, nunca tinham pertencido ao conselho. Ainda assim, o nome anterior sobrevive no prolongamento oeste da rua, hoje uma área de indústria leve chamada Council Street West.

Expansão até a era eduardiana

Apesar das críticas do vereador Owen e das reportagens sobre os debates do conselho, o conjunto de Council Street foi apenas o começo da construção de habitação social enquanto Llandudno avançava para a era eduardiana. Em 28 de outubro de 1896, o Comitê de Moradias dos Trabalhadores discutiu negociações com os Ecclesiastical Commissioners para comprar mais terrenos. A comissão posteriormente ofereceu condições que foram aceitas pelo UDC para a aquisição de terra destinada a 69 casas, ao custo total de 13.661 libras. Tratava-se de um projeto em Alexandra Road, West Shore, embora esse trecho da rua tenha sido mais tarde incorporado à King’s Road.

Em 28 de janeiro de 1897, a ata do comitê registrou que o agrimensor fora autorizado a providenciar uma pedra comemorativa, com a seguinte inscrição, para fixação em local adequado: “Moradias dos Trabalhadores construídas pelo Conselho do Distrito Urbano de Llandudno, 1897”.

Em maio de 1900, o agrimensor apresentou outro projeto para 28 casas e, em abril de 1902, foram recebidas propostas para outras 28 em Alexandra Road.

“Casas dignas de heróis”

A Lei de Habitação e Planejamento Urbano de 1919, conhecida como Lei Addison em homenagem ao ministro da Habitação Christopher Addison, lançou as bases da grande expansão da habitação municipal que o país conheceria depois da Primeira Guerra Mundial. Ela fazia parte do apelo por “Casas dignas de heróis”, feito pelo primeiro-ministro David Lloyd George perto do fim da guerra. O Llandudno Urban District Council agiu rapidamente, decidindo erguer mais casas em West Shore. Talvez tenha sido especialmente estimulado pelo fato de David Lloyd George representar no Parlamento a circunscrição local de Caernarfon Boroughs, da qual Llandudno fazia parte. A primeira seção da King’s Road foi concluída em 1920. Uma pedra comemorativa foi assentada em 8 de outubro daquele ano por Dame Margaret Lloyd George, esposa do primeiro-ministro, e pela sra. E. R. Woodhouse, esposa do presidente do UDC.

A construção de novas casas municipais continuou ao longo das décadas de 1920 e 1930, principalmente em West Shore, em Maesdu — onde ocorreria a maior parte da expansão após a guerra — e na própria Great Orme. Em vez de grandes conjuntos, os empreendimentos municipais dessa fase geralmente ocupavam uma ou duas ruas, como Lees Road e Knowles Road, contíguas. Essas vias foram batizadas em homenagem ao político conservador, filantropo e defensor da habitação social e do Guinness Trust, Sir Lees Knowles, falecido em 1928.

Em 1926 e 1934, Marian Road e Marian Place foram construídas ao lado da linha férrea, por volta da época em que o UDC ergueu uma nova ponte sobre os trilhos entre Deganwy e Llandudno. A ponte substituiu uma passagem de nível que prejudicava a circulação na alta temporada, quando mais de cem trens por dia podiam passar por Llandudno. Ela também deu nome ao conjunto de Bridge Road, construído naquela época.

Em 1934, foi erguido Cwm Place, empreendimento que depois seria cercado pelo Tre Creuddyn Estate, mas que, na época da construção, estava relativamente isolado da área urbana. A relação completa dos empreendimentos desse período — sempre chamados de “moradias para trabalhadores” nas atas — mostra uma atividade construtiva quase contínua:

Como eram as casas dos anos 1920 e 1930

A arquitetura dessas moradias evoluiu durante o período entre guerras. No difícil contexto econômico imediatamente posterior à Primeira Guerra Mundial, as casas de 1920 na King’s Road eram simples e despojadas: residências geminadas, com fachadas planas e reboco texturizado com pedras. Em meados da década de 1920, as casas ficaram maiores. A avó do autor, conhecida pelos treze netos pelo sobrenome como “Nanna Breeze”, viveu numa típica casa de 1923 em Mowbray Road, aproximadamente de 1970 até sua morte, em 2006.

A residência tinha janela saliente na fachada, pórtico de entrada recuado, jardins gramados de bom tamanho na frente e nos fundos, três quartos, vaso sanitário interno e banheiro separado, cozinha, corredor largo com escada em dois lances, sala de visitas na frente e outra sala de estar nos fundos. Lembro que, ainda no fim da década de 1980, quando eu era criança, a sala da frente, voltada para a rua, ficava reservada a visitas especiais e era completamente proibida para nós, crianças, embora visitas suficientemente importantes para entrar ali fossem raríssimas. A sala dos fundos, onde acontecia toda a vida familiar, era voltada para o sul e ficava insuportavelmente quente no verão. Com nossos pais trabalhando, minha irmã e eu precisávamos passar grande parte das férias escolares na casa da avó.

Na época, ela trabalhava como faxineira num hotel à beira-mar, já com mais de setenta anos. A administração permitia que minha irmã e eu ficássemos sentados, brincando no salão de hóspedes, enquanto ela terminava o turno de limpeza da manhã. À tarde, de volta à casa, ela naturalmente tirava uma soneca. Muitas vezes eu entrava sorrateiramente na sala fresca da frente, voltada para o norte, sem que ela soubesse e contrariando completamente a regra de reservar o espaço apenas às visitas, para escapar do calor abafado da sala dos fundos. Desculpe, Nanna!

A qualidade dessas moradias era tanta que minha avó se lembrava de moradores lhe contarem que as casas tinham sido erguidas por uma incorporadora privada que falira e tivera de vender os imóveis ao conselho para habitação social. Era um mito: as atas do conselho deixam claro que todas essas casas de alta qualidade foram planejadas e construídas pelo próprio UDC para trabalhadores.

Tudo isso mostra que, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, Llandudno havia avançado muito no realojamento de uma quantidade considerável de pessoas em casas de boa qualidade, graças ao compromisso genuíno e à atitude pioneira dos vereadores e funcionários locais. Depois da guerra, as pressões inevitáveis da demanda habitacional e as mudanças de estilo fariam com que as construções se tornassem menos robustas e generosas do que antes. Essa história continua na segunda parte.