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People’s Park em Banbury: jardins e transformações — Parte II

Como vimos na primeira parte, Sidney Hilton, talentoso e multidisciplinar agrimensor do distrito de Banbury desde 1925, transformara o People’s Park num espaço verde popular e muito utilizado para respirar ar fresco, divertir-se e praticar exercícios leves. Embora o conselho contabilizasse anualmente receitas e despesas das quadras de tênis, do campo de tacadas curtas e do clube de boliche — reconhecendo os prejuízos gerais —, sabia que o parque oferecia um espaço verde de valor inestimável.

Neithrop House e Paradise Square

Neithrop House, parte da propriedade adquirida pelo conselho do consórcio em 1918–1919, ficou desocupada em 1929. O Comitê de Educação alugou o primeiro pavimento por cem libras anuais para instalar uma clínica de atendimento infantil e outra escolar. Na década de 1940, isso incluía o tratamento de casos de escabiose e pediculose. Incontáveis crianças foram a Neithrop House para exames oftalmológicos, vacinas e consultas odontológicas, aproveitando depois o parquinho e a piscina infantil. Os pais retiravam suco de laranja, leite em pó, óleo de fígado de bacalhau e máscaras contra gases.

As casas de Paradise Square, também parte da propriedade original de Neithrop House, eram mais problemáticas. O nome Paradise, ou paraíso, era inadequado. Havia muitos casos de embriaguez e de violações da Lei de Educação Elementar, e uma única torneira atendia a cerca de vinte famílias. O conselho já possuía outras fontes de aluguel, e Hilton não tinha paciência para aquilo. Logo depois que o médico sanitarista determinou o fechamento das casas, ele providenciou sua demolição e o realojamento dos inquilinos em casas municipais novinhas. O paraíso se perdeu quando o terreno da praça recebeu novos arbustos e um estacionamento.

O desenho e a execução dos planos de Hilton para novos muros e caminhos talvez demonstrem melhor do que qualquer outra coisa sua compreensão da finalidade do People’s Park e de como ele era utilizado. Os limites externos do parque são acompanhados por caminhos. Quem está com pressa pode atravessar toda a extensão sem se distrair com flores e árvores. Hilton construiu muros baixos de pedra ao longo desses caminhos, no lugar dos muros altos e das cercas que antes cercavam Neithrop House.

Hoje quase passam despercebidos e é fácil pensar que não servem para nada. Não considero exagero, porém, afirmar que esses muros baixos materializaram o fato de que o parque estava aberto para que todos o aproveitassem. Originalmente, havia grades no alto deles; alguns agora têm cercas vivas de alfeneiro ou espinheiro. Mesmo com os portões trancados, os habitantes de Banbury podiam olhar para dentro do seu parque.

Os caminhos que levam aonde as pessoas querem ir

Hilton também demonstrou grande visão de futuro ao definir os caminhos internos. Não existem “trilhas de desejo” lamacentas: em 2019, as pessoas utilizam as mesmas rotas criadas por ele. Respeitou os antigos caminhos públicos existentes antes dos cercamentos de terra, como The Leys, e fez os percursos levarem aonde as pessoas queriam ir: saídas, viveiro de pássaros e parquinho.

Desde 1912, as pessoas valorizam o parque como uma rota conveniente para o centro: uma caminhada curta e agradável acompanhada pelo canto dos pássaros. O que torna o People’s Park tão útil aos moradores, então e agora, é sua função dupla: espaço de lazer e recreação e atalho rápido para o trabalho ou para a cidade.

À medida que as novas casas e ruas de Hilton aumentaram significativamente a população residencial a noroeste do parque, a localização se tornou ainda mais valiosa. Em julho de 1939, o Banbury Advertiser publicou a manchete “O caminho mais rápido para o trabalho a partir do bairro de King’s Road”.

Os planos para um novo caminho atravessando o parque foram descritos como um apelo para economizar sessenta jardas por sessenta libras. O vereador Jones fizera um censo informal numa tarde ensolarada e descobrira que 348 pessoas haviam atravessado o gramado. Considerava que sua pesquisa provava:

Que a maioria das pessoas que viviam naquele distrito pertencia à classe trabalhadora, que dispunha de pouco tempo para chegar em casa, fazer as refeições e voltar ao local de trabalho... A menos que se construa ali um caminho, continuará existindo o aspecto desagradável de uma trilha de lama atravessando o campo.

O novo caminho foi executado rapidamente.

O coreto e a vida pública entre as guerras

O viveiro de aves foi instalado pela primeira vez em 1927 e reconstruído em 1992.

Desde os primeiros anos da administração do consórcio, as pessoas gostavam de ouvir bandas tocando no parque. O conselho reconhecia a pressão por um coreto e, evidentemente, havia muitos outros pelo país. O coreto do People’s Park foi inaugurado em junho de 1932. Era uma estrutura bastante grandiosa, financiada por uma fundação beneficente. O projeto de Hilton foi adaptado ao terreno em declive, que forma um anfiteatro natural próximo ao centro do parque.

Hilton supervisionou toda a construção pela equipe própria do conselho. O coreto retangular, com frente em curva, podia acomodar quarenta músicos.

Festa após festa, comício após comício, desfile após desfile, uma creche durante a guerra e um Restaurante Britânico ajudaram a manter o ânimo na Segunda Guerra Mundial. Como Banbury sofreu poucos danos físicos, a falta de cadeiras de praia no People’s Park mantinha os vereadores ocupados.

Com as novas instalações prontas, no fim dos anos 1930 o parque estava firmemente estabelecido como lugar de lazer e descanso. A redução da jornada média de trabalho entre os anos 1930 e 1960 só ampliou sua popularidade. As instalações de Hilton são bons exemplos de equipamentos bem projetados pelos governos locais para atender à necessidade de recreação próxima, segura e organizada.

O People’s Park havia se tornado o espaço ao ar livre mais popular de Banbury. Em junho de 1951, a Banbury Grammar School apresentou Sonho de uma Noite de Verão no coreto, com uma subvenção municipal de cinquenta libras para a produção.

Sylvia Crowe e os planos paisagísticos do pós-guerra

Depois da guerra, os pensamentos do conselho distrital se voltaram à horticultura. No fim sombrio e frio da década de 1940, havia um novo apetite por jardinagem e paisagismo municipais. Ciente da dimensão dos novos conjuntos habitacionais de Hilton em construção, o conselho pediu ao Institute of Landscape Architects um plano preliminar para melhorar todos os parques e áreas de recreação existentes e propostos, incluindo o People’s Park. Por cem guinéus, o instituto enviou a srta. Crowe, de Londres, para preparar um relatório.

Em abril de 1947, o conselho examinou suas recomendações mais detalhadas e decidiu que:

Levando em conta as anormalidades da época e o investimento de capital considerável que provavelmente seria necessário... a análise posterior do relatório [da srta. Crowe] fosse adiada e... a questão provavelmente precisasse permanecer suspensa por pelo menos dois ou três anos.

O relatório da srta. Crowe não está incluído em seus arquivos e não sabemos o que pensava sobre o People’s Park. Tinha a reputação de produzir esboços apressados e bagunçados, transbordantes de ideias. Podemos imaginá-la desenhando planos de novas árvores e canteiros, talvez com Hilton a acompanhá-la.

Sylvia Crowe nasceu em Banbury. A partir da década de 1930, trabalhando de forma independente, recebeu muitas encomendas, incluindo projetos de usinas nucleares, terrenos de hospitais, faculdades e novos conjuntos residenciais. Em 1948, tornou-se consultora paisagística da nova cidade de Harlow, dando vida ao plano diretor de áreas verdes urbanas de Sir Frederick Gibberd. Com reputação internacional, é considerada uma das grandes arquitetas paisagistas da segunda metade do século XX. Escreveu vários livros; The Landscape of Power, de 1958, é o mais conhecido.

Tommy Jackson e a horticultura municipal

A década de 1950 trouxe mudança de política: o conselho decidiu expressamente destinar o People’s Park a jardim ornamental de flores, enquanto continuava investindo em novos campos esportivos em outros lugares. Em 1953, nomeou um superintendente de horticultura: jardineiro especializado, com capacidades de planejamento e administração, responsável por todos os parques. O escolhido foi Tommy Jackson, de Winsford, FRHS.

O People’s Park se tornou o centro das responsabilidades de Jackson. Foram construídas uma nova sala de descanso para a equipe, um galpão de preparação de vasos e estufas. Sistemas novos de iluminação e aquecimento permitiam que o trabalho continuasse durante o inverno. Jackson solicitou e recebeu um Land Rover, e uma garagem foi erguida ao lado do galpão.

Logo tinha dezessete funcionários cuidando dos 69 acres de parques, áreas de recreação e faixas verdes do Banbury Borough Council, além de dezesseis acres do cemitério. Três desses homens eram horticultores qualificados. Em 1958, foram produzidos a partir de sementes 4.500 gerânios e 32 mil plantas anuais para canteiros. A equipe criava arranjos florais extraordinários nas bibliotecas, nos prédios públicos e nas mesas das reuniões do conselho. Ainda uma tela relativamente em branco, o People’s Park recebeu milhares de bulbos.

O córrego Cuttle Brook abastecia a piscina infantil até a água passar a ser canalizada por tubulações. Jackson transformou o antigo curso do riacho num canteiro de plantas herbáceas perenes.

Horticultor especializado e perfeccionista, em 1965 Jackson precisava de mais jardineiros habilidosos para produzir flores de primeira qualidade para as exposições públicas. O conselho recebia numerosos elogios por seus espetaculares arranjos no People’s Park. Sua influência sobre a política habitacional do distrito foi tamanha que novas casas municipais foram oferecidas a três candidatos com talento para jardinagem, para se juntarem a Jackson e “manter Banbury florida”.

O conselho nunca voltou a examinar o trabalho de Sylvia Crowe. Seus projetos naturalistas talvez se mostrassem mais duradouros e baratos a longo prazo, mas dificilmente teriam sido tão populares quanto o estilo colorido e de manutenção intensa de Jackson durante os anos 1950 e 1960.

Declínio, conservação e uso atual

A reorganização do governo local em 1974 colocou o People’s Park nas mãos do Cherwell District Council. A avaliação-padrão de despesas do governo nacional excluía os gastos com parques, e a abordagem do conselho distrital parece ter se limitado ao controle de danos. Com uma presença reduzida no parque, não houve melhorias reais dignas de menção.

Até então, os hábitos de lazer do país haviam sofrido uma transformação profunda. Como outras cidades médias ao alcance de Londres, Banbury se expandira. Uma proporção elevada dos primeiros moradores dos subúrbios dos anos 1960 vinha de casas inadequadas ou danificadas por bombardeios no norte de Londres ou de programas de eliminação de cortiços em Solihull e Coventry. As famílias tinham suas próprias casas, segurança de permanência e jardins de bom tamanho. As pessoas gostavam de passar o tempo livre em casa, dedicar-se à jardinagem e acompanhar esportes e música pela televisão. Uma ida ao shopping center no domingo à tarde tornou-se, em muitos casos, o novo passeio no parque.

As instalações de Hilton tiveram vida útil de cerca de cinquenta anos. A piscina infantil ficou cara demais para limpar, o abrigo de madeira foi incendiado, e alguns incidentes dentro e ao redor dos banheiros públicos levaram ao fechamento deles. As bandas passaram a tocar para plateias menores, e o conselho demoliu o coreto de Hilton, coberto de grafites, em 1988.

O novo Banbury Town Council assumiu o People’s Park em 2000. O parque recebeu uma Green Flag em 2001, mas a certificação expirou depois. O conselho municipal parece não gostar de nada muito contemporâneo; não há uma política coerente para o estilo das plantações ou a oferta de equipamentos. Câmeras de segurança foram instaladas em 2015. Os muros e caminhos de Hilton permanecem intactos. A qualidade da infraestrutura que ele estabeleceu na década de 1930 é confirmada pelas centenas de pessoas que cruzam o parque em sua rotina diária.

Neithrop House, tombada como edifício Grade II, estava em reforma e conversão em apartamentos e casas urbanas em 2019.

Do ponto de vista financeiro, o Banbury Town Council não enfrenta dificuldades para manter o People’s Park no momento do relato. Reconheça-se isso publicamente ou não, o parque consegue cumprir seu papel de aumentar a biodiversidade e reduzir os efeitos da poluição atmosférica. Numa época de preocupação crescente com a saúde física e mental do país, beneficia a população ao incentivar caminhadas curtas, com ou sem cachorro, e ao oferecer um lugar de encontro que pode fortalecer vínculos sociais. Acima de tudo, continua sendo um espaço para relaxar — tão importante hoje quanto para os participantes da celebração de 1919.

Em 14 de julho de 2019, uma elegante dama montada num cavalo branco percorreria novamente as ruas de Banbury até o People’s Park. Uma pequena e tranquila cidade de mercado no coração da Inglaterra celebraria o centenário do parque. Ele tem um nome que alguém poderia ter inventado ontem; um nome que nunca foi apelido, mas que foi escolhido pelo primeiro benfeitor, George Ball. Celebremos as realizações e a generosidade de seus fundadores e projetistas.