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Reconstrução e arquitetura

Wigan no pós-guerra: torres, reconstrução e habitação social

A história das moradias municipais de Wigan após 1945, de Norley Hall e Worsley Mesnes às transformações da habitação social.

A publicação da semana passada examinou Wigan no período entre guerras, quando o município iniciou um programa de construção habitacional em larga escala e demolição de moradias insalubres e, graças a George Orwell, tornou-se símbolo da miséria e do desemprego em massa que atingiam os tradicionais centros industriais britânicos durante a Grande Depressão. Nesta publicação, examinaremos o grande programa de reconstrução de Wigan depois da Segunda Guerra Mundial, que combinou a continuidade dos esforços anteriores com algumas mudanças radicais.

A cidade atravessou a Segunda Guerra relativamente bem. Recebeu algumas bombas isoladas durante ataques dirigidos à vizinha Liverpool, mas sofreu poucos danos em geral, enquanto o comércio se recuperou para atender às necessidades da guerra total. Talvez por causa dessa ausência de destruição, não houve um “plano para Wigan” como os elaborados em centenas de cidades britânicas para desenhar um mundo melhor no pós-guerra.

Mas a necessidade de construir era evidente e urgente. Em 1945, calculava-se que Wigan precisasse de duas mil novas moradias. O maior empreendimento previsto reuniria 1.500 casas, sobretudo residências de três quartos e apartamentos em dois pavimentos, no novo conjunto Norley Hall, em Pemberton, “cuja disposição seguirá os princípios modernos de planejamento urbano”. Era uma expressão modesta da ênfase do pós-guerra nas chamadas “unidades de vizinhança”, que deveriam compensar parte da esterilidade dos conjuntos periféricos do período entre guerras, identificada por Orwell e outros.

A preferência do conselho municipal, ainda firmemente controlado pelo Partido Trabalhista, pela execução direta das obras — utilização dos próprios funcionários da administração para construir as casas — vinha de sua política anterior à guerra. A proposta de empregar prisioneiros de guerra alemães foi rejeitada, pois “os homens de Wigan estavam se inscrevendo no serviço de emprego” com o fim da produção de guerra.

Num período de crise habitacional, porém, recorrer a métodos não tradicionais era inevitável, em Wigan como em outros lugares. Foram encomendadas cerca de duzentas casas pré-fabricadas provisórias para Whelley e Pemberton. Ao mesmo tempo, grandes quantidades de moradias pré-fabricadas permanentes foram construídas em Whelley, Laithwaite e Abram: casas com estrutura de aço da British Iron and Steel Federation, conhecidas pela sigla BISF, com os andares superiores revestidos de chapas leves de aço.

Se a ênfase estava na produção em massa, a preocupação com necessidades individuais se manifestou em dois bangalôs de School Way, em Norley Hall, especialmente adaptados para pessoas com deficiência.

Torres e novos empreendimentos

A construção prosseguiu rapidamente no fim dos anos 1950 com o novo Marsh Green Estate, a cerca de três quilômetros a oeste do centro, começando em Hunter Road e avançando, ao longo dos anos 1960, para além dela. Todas as ruas receberam nomes de aeronaves britânicas.

Tratava-se de um empreendimento periférico, mas já havia uma tendência para moradias em edifícios mais altos, tanto nos centros, onde se considerava necessária uma densidade maior, quanto nos bairros suburbanos. A tendência foi estimulada por um sistema de subsídios implantado em 1956 que recompensava construções mais altas. Wigan aprovou seu primeiro edifício residencial em torre em 1960: a Douglas House, de onze andares, foi construída pela Wimpey imediatamente a leste do centro, em Scholes.

Edifícios de vários pavimentos, mas de altura menor, também se tornaram comuns. Em 1961, aprovaram-se blocos de apartamentos de cinco andares em Dumbarton Green, Beech Hill. Construções semelhantes e suas variantes surgiram nos anos seguintes por todo o município.

Em 1956, o jornalista e futuro político Wayland Young, revisitando conscientemente Orwell, descreveu uma cidade que agora prosperava. Wigan, segundo ele, havia “passado da desnutrição de pés descalços para as meias de náilon e a televisão, da ociosidade vazia para uma satisfação radiante”. Independentemente de essa ter sido ou não a experiência de todos os moradores, a crescente prosperidade econômica nacional renovou a atenção às demolições dos cortiços, acompanhada de uma promessa de eliminar completamente as condições insalubres. Em Wigan, em 1960, 374 famílias, somando 1.288 pessoas, foram realojadas em “habitações da administração municipal”, o maior número do pós-guerra até aquele momento, segundo o responsável pela saúde pública.

Não havia dúvida sobre a dimensão do desafio. Na década de 1960, o conselho estimava que 24 mil casas do município fossem impróprias para habitação humana. Os trabalhos começaram em Scholes, considerada a área com as piores condições habitacionais, onde cerca de sete mil casas precisavam ser demolidas com urgência, em 1961. Ao todo, o processo levou catorze anos. Ordens de desapropriação compulsória foram utilizadas seletivamente, segundo se dizia, numa tentativa de preservar o espírito comunitário, acompanhadas da garantia de que os moradores removidos seriam realojados juntos em Marsh Green.

Em 1964, foram aprovadas cinco torres de treze andares ao lado da Douglas House, em Scholes. Moradias e apartamentos mais baixos se espalharam para leste. Em 1968, outra torre de treze andares, Boyswell House, foi construída na extremidade oriental da Área de Desenvolvimento Integrado de Scholes. Naquele mesmo ano, quase quinhentas casas insalubres, onde viviam 566 famílias, foram demolidas, e 581 novas moradias municipais foram concluídas. No mesmo período, a iniciativa privada construiu apenas 94 novas casas em Wigan.

Era o auge das demolições e reconstruções conduzidas pelos municípios no Reino Unido, mas o clima começava a mudar. O subsídio especial para prédios de mais de seis andares foi abolido em 1967. Um documento governamental de 1968, significativamente intitulado “Casas Antigas em Novos Lares”, marcou uma nova ênfase na recuperação das casas geminadas em fileira antes condenadas. A mudança foi consolidada na Lei de Habitação de 1969, que criou as Áreas de Melhoria Geral.

Worsley Mesnes e seus moradores

Por enquanto, porém, com projetos já em andamento, a reconstrução de Wigan continuou acelerada. Worsley Mesnes surgiu como o maior empreendimento municipal nos anos 1970, ocupando terras agrícolas e antigas áreas industriais a cerca de dois quilômetros e meio a sudoeste do centro. “Mesnes” deriva de um termo normando para as terras de um proprietário e é pronunciado localmente como “mains”.

Três torres de dezesseis andares foram aprovadas para o conjunto em 1964. O uso do sistema Bison, uma forma de construção pré-fabricada com painéis de concreto pré-moldado estrutural, refletia outro aspecto da pressão daquela época para construir em grande escala e com rapidez. O maior contrato, de 1,34 milhão de libras, foi vencido pela J Gerrard & Son Ltd., grande empreiteira de Lancashire, que trabalhou nas torres com a Concrete Ltd., detentora dos direitos do sistema Bison. O contrato previa 486 moradias e 186 garagens.

As torres receberam os nomes Dryden House, Thackeray House e Masefield House. As ruas vizinhas também foram batizadas com nomes literários. Como observou Stuart Maconie, que cresceu no conjunto, “brigávamos, bebíamos e nos agarrávamos entre gigantes da literatura”. Maconie oferece outra perspectiva poderosa da classe trabalhadora de Wigan, em aspectos importantes — e ele certamente gostaria disso — melhor que a de Orwell: não a visão paternalista, ainda que empática, de quem observa de cima, mas uma voz autêntica do mundo que descreve.

Nascido em 1961, ele captura aquele momento:

“Porque nós éramos poderosos naqueles dias; os vastos conjuntos municipais, cinzentos e organizados, como o meu, eram as cidadelas de homens e mulheres comuns cujo trabalho lhes conferia prestígio e influência, os últimos de sua espécie a exercer um poder assim... Eram bons tempos para a classe trabalhadora. Tínhamos empregos, poder, alegria, diversão, até temporadas ao sol... em Blackpool e no Butlin’s de Skegness, em Torremolinos e Famagusta, se tivéssemos feito horas extras.”

A opinião dele sobre o próprio conjunto e suas casas também pode surpreender. Maconie as compara às “casinhas em fileira e pequenas residências” dos avós de Wigan:

“Mas, para mim, que tinha chegado a um mundo de lareiras a carvão, despensas e casas construídas na época eduardiana, meu novo lar não era brutal, mas limpo. Era austero, elegante, o futuro. Eu não fazia ideia de quem eram Le Corbusier ou Erno Goldfinger, mas tinham um aliado arquitetônico naquele menino de dez anos que adorava ter seu próprio quarto e pedaços de gramado para chutar bola, passagens subterrâneas, galerias e varandas por onde correr livremente. Não considerava Eliot Drive uma Terra Desolada. Não achava que Milton Grove fosse o Paraíso Perdido. Achava que era o paraíso.”

Hoje, o conjunto provavelmente parecerá sem graça e comum à maioria das pessoas, muito característico de sua época. Além das torres, havia blocos de apartamentos e residências em dois níveis mais baixos e, depois, ruas de casas modernistas em fileira, muitas organizadas de maneira parcialmente inspirada em Radburn, ao redor de caminhos para pedestres e áreas verdes abertas. Há também referências a “casas canadenses” e “casas holandesas” de telhado plano, modelos estrangeiros, alguns com elementos pré-fabricados, utilizados para acelerar as construções.

A campanha para livrar Wigan de moradias inadequadas continuou nos anos 1970. Em 1977, quando o grande programa de substituição de casas já havia sido concluído, calculava-se que ainda restassem nove mil moradias abaixo do padrão. Foram formulados planos de reconstrução em larga escala para núcleos mais distantes, como Platt Bridge, Upper e Lower Ince e New Springs.

Mas, naturalmente, já estávamos às vésperas de uma nova era na política habitacional. A eleição de um governo conservador da Nova Direita em 1979 e sua hostilidade à habitação pública, contudo, não vieram inteiramente do nada. Em meados dos anos 1970, aumentavam as críticas à forma e à natureza de alguns conjuntos municipais ainda bastante recentes. Dizia-se que as construções por sistemas industrializados e os blocos com acessos por galerias elevadas eram cada vez menos populares entre os moradores e propensos a comportamentos antissociais.

Em Wigan, os blocos de apartamentos de acesso por escadas, com três ou cinco andares, erguidos por todo o município, foram exemplos precoces dessa tendência. Prédios desse tipo em Worsley Mesnes foram demolidos já em 1984, e outros seguiram o mesmo destino no fim dos anos 1980 e nos anos 1990. Em 1988, jornalistas apelidaram Dumbarton Green de “o conjunto onde ninguém quer morar”, quando o conselho decidiu demoli-lo.

As chamadas “casas de cabeça para baixo”, cujos quartos ficavam no térreo, também foram demolidas naquele período. A última das três torres de Worsley Mesnes, Masefield House, foi posta abaixo em 1991. Em junho de 2020, aprovou-se outra reconstrução do conjunto, com a remoção de mais edifícios baixos de apartamentos na área central e o empreendimento confiado à incorporadora privada Keepmoat Homes.

Reformas e mudanças na gestão da habitação

As torres de Scholes sobreviveram quase milagrosamente, mas em condições significativamente alteradas e melhoradas. São objeto de intervenções de recuperação e modernização desde 2008 e, agora com revestimentos novos e seguros, receberam recentemente a nova identidade de Scholes Village.

O cenário da habitação social — como passou a ser chamada — mudava também de outras maneiras. A hostilidade dos conservadores às casas municipais era compartilhada em grau significativo pelos governos do Novo Trabalhismo, no poder a partir de 1997. O Padrão de Moradias Dignas de 2000 foi uma medida progressista, mas financeiramente inviável para muitas autoridades locais sem poderes para contrair empréstimos.

Foram criadas organizações de gestão com autonomia operacional, as ALMOs, para permitir que entidades separadas captassem recursos. Os conselhos mantinham o controle estratégico da habitação, mas a administração cotidiana era transferida para esses órgãos. Em 2001, Wigan foi um dos oito primeiros municípios do país a criar uma ALMO, com a fundação da Wigan and Leigh Homes, depois de assegurar 58 milhões de libras para melhorar suas 26 mil casas.

Em 2017, seguindo uma tendência já consolidada, Wigan voltou a administrar diretamente seu parque habitacional social. Um porta-voz do conselho declarou que se esperava economizar 5,5 milhões de libras com a redução dos serviços duplicados e a “integração das equipes ao conselho”.

O Right to Buy, direito de os inquilinos comprarem suas moradias municipais com descontos substanciais, introduzido pelos conservadores em 1980, teve um impacto significativo em Wigan, assim como em outros lugares. Em 1981, no auge, o conselho possuía e administrava 37.505 casas. Em 1994, o direito de compra havia reduzido esse número para 29 mil. Após novas vendas, o total de moradias de aluguel social é hoje de aproximadamente 22 mil, cerca de 19% de todos os domicílios, um pouco acima da média nacional. Em Worsley Mesnes, aproximadamente 23% dos domicílios são alugados pelo sistema social, enquanto 67% dos moradores são proprietários.

Para muitos, porém, a necessidade de moradia continuava desesperadora. Em 2024, havia cerca de treze mil famílias no cadastro habitacional de Wigan, a lista de espera para aluguel social, e quase duas mil famílias, com direito legal à assistência habitacional, viviam em acomodações temporárias fornecidas pelo município. Entre 2020 e 2024, Wigan gastou 7,3 milhões de libras para recomprar 76 imóveis anteriormente vendidos por meio do Right to Buy.

Nem preciso tirar as conclusões. Durante décadas, vendemos moradias sociais sem construir outras para substituí-las. Como fracassamos nacionalmente em investir diretamente para atender à demanda por moradia, as autoridades locais agora se veem obrigadas a pagar aluguéis e encargos mais altos ao setor privado apenas para cumprir suas obrigações legais, enquanto milhares de pessoas continuam esperando numa fila.

Nos últimos anos, houve alguma recuperação da construção de habitações acessíveis sob a liderança das autoridades locais. Um relatório municipal de 2023 registra a entrega de 1.322 moradias acessíveis desde 2018/19, incluindo “imóveis para aluguel social ou acessível e opções de aquisição a baixo custo, como propriedade compartilhada, aluguel com opção de compra e participação compartilhada”. São moradias oferecidas por associações habitacionais e por acordos com incorporadoras privadas nos termos da Seção 106, que exigem alguma infraestrutura ou benefício comunitário, além do programa municipal de construção direta.

Não está claro quantas novas casas para aluguel social foram construídas ou estão previstas. É um mundo muito diferente do que existia até os anos 1970, quando os municípios construíam diretamente milhares de moradias de aluguel social pelos meios simples e econômicos de subsídios do governo central e empréstimos baratos do Public Works Loan Board. Nossa dependência da oferta do livre mercado e das parcerias público-privadas significa que construímos muito menos casas a um custo muito maior.

Os próprios “conjuntos municipais” também mudaram, de forma mais evidente por causa do Right to Buy, mas também por um processo de residualização — um termo técnico que significa, basicamente, que a habitação de aluguel social fica cada vez mais restrita às pessoas classificadas como de “necessidade prioritária” pela legislação sobre falta de moradia.

É um mundo diferente daquele celebrado por Stuart Maconie, numa época em que morar numa casa municipal era inegavelmente considerado sinal de ascensão social para uma classe trabalhadora cada vez mais próspera. Mais tarde, durante algum tempo, quando aumentaram os problemas de comportamento antissocial, partes de Worsley Mesnes receberam o apelido de Beirute. Seria fácil cair nos estereótipos estigmatizantes de hoje... mas seria errado.

Como escreve Maconie, ao revisitar o conjunto atual:

“Agora há casinhas pequenas e arrumadas; cada uma tem um gato, e, em alguns casos, carros bastante elegantes. Não é St Albans nem Wells. Mas tampouco é o pântano selvagem de privações que alguém poderia temer e que os responsáveis pelos programas de televisão adoram demonizar. Na parte mais agradável e recente, agora sem torres, trata-se essencialmente de um bairro suburbano acolhedor, com Previas e Focuses e antenas parabólicas inclinadas para captar o mel dourado e quente do sol do entardecer... É igual ao lugar onde moram pessoas comuns e decentes. Porque são pessoas comuns e decentes.”

É uma conclusão modesta, até insossa, para uma história tão dramática da habitação municipal, considerando as necessidades, pressões, ideais e ambições que a inspiraram e a política turbulenta e contraditória que a moldou. Mas talvez seja exatamente a conclusão de que precisamos.